quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Um Homem grosseiro é facilmente reconhecido

"Um Homem grosseiro é facilmente reconhecido:

Não raciocina, portanto não duvida de nada,
Não nega, portanto não crê. Cultiva hábitos há muito nele arraigados e nada aceita, medroso, além daquilo que sejam as conveniências do que vai até a porta da frente da sua casa.

Não testemunha o seu tempo: Vive no tempo do que um dia conquistou; não deixa que ninguém o conheça, posto precisar defender-se com frequência e, dessa forma, fica livre para ofender os outros.

Um Homem rude é aquele que aprende com o que lê, mas prefere não aplicar o que a teoria lhe ensinou, medroso, nada aceita do mundo presente, porque julga que já traçara seu destino e o inesperado não lhe interessa mesmo que seja a sua própria felicidade.
Mas um homem infeliz é aquele que desconhecendo os caminhos da existência e as possibilidades que neles se escondem, julga que nada precisa mudar e que tudo está certo como está.

Feliz é o homem, certamente, que apesar de todas as adversidades, cruza sem medo a via do destino, toma na mão as rédeas de sua própria vida, conduz o carro dos seus dias para onde seu coração e a sua inteligência lhe indicar." - Voltaire.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Admirável Mundo Novo Romance foi uma das primeiras obras de ficção a analisar o perigoso relacionamento entre os regimes totalitários e o progresso tecnológico

O ano seria 2540 d.C. se fôssemos contar o tempo pelo calendário cristão. Mas, no livro, se fala de 632 d.F., ou seja, depois de Ford, pois um novo período na história humana teria sido inaugurado com Henry Ford, o criador das linhas de montagem e precursor da moderna sociedade de consumo. 

É nessa época - em que não há fome, desemprego, pobreza, guerras, doenças e os indivíduos convivem em suposta harmonia em um mundo asséptico - que se situa Admirável Mundo Novo (1932), romance do autor inglês Aldous Huxley(1894-1963). Mas não se trata de uma utopia. A sociedade imaginada por Huxley é o oposto disso, ou seja, uma distopia - na qual, ao contrário da ilha onde reinam a justiça social, política e econômica e a liberdade de pensamento, concebida por Thomas Morus no século 14, se vive um ambiente de pesadelo e os mecanismos criados para o "bem-estar" dos seres humanos são os mesmos que os aprisionam. 

Nessa sociedade não existem mais nascimentos. Os seres humanos são produzidos em incubadoras e, desde o estado embrionário, são condicionados física e mentalmente para ter uma profissão e ocupar determinada posição social. Existem cinco castas. A mais alta é a dos alfas, que ocupam os cargos de comando, e a mais baixa, a dos ipsílons, destinados aos trabalhos mais insalubres. 
Homens e mulheres não se casam nem desenvolvem relacionamentos duradouros baseados em afeto mútuo. A troca constante de parceiros é um hábito, e a prática sexual é livre. Livros, arte e ócio são dispensáveis e socialmente condenados. Todos vivem sobre o imperativo da felicidade, e se por acaso algum dos habitantes do Admirável Mundo Novo não conseguir atingir esse estado de satisfação, pode recorrer livremente ao soma, droga alucinógena que traz contentamento imediato. 

A sátira de Huxley, mais que uma profecia sobre um futuro distante, é um retrato da sua época. A lógica fordiana que implantara na prática capitalista o modelo da alienação da produção industrial dera a largada para a formação de uma nova ordem na economia mundial. Huxley foi um dos primeiros a prever as consequências que poderiam advir de uma conjugação entre tecnologia, sistemas automatizados de produção e os regimes totalitários que surgiram no século 20. 

Admirável Mundo Novo traz alusões a alguns pensadores que teriam inspirado essa nova ordem, como os antropólogos Stanislaw Malinovski, Margaret Mead e os psicólogos Ivan Pavlov e J. B. Watson. Este último, a despeito das correntes psicanalíticas que estudavam o comportamento a partir dos complexos interiores, defendia a tese de que o ser humano é uma máquina biológica que responde a estímulos. Watson chegou a realizar experimentos em crianças nos anos 1920, usando eletrochoques para condicionar respostas de comportamento, tal como aparece na ficção de Huxley. 

Em um ensaio redigido 14 anos depois do lançamento do livro, em 1946, o autor constatou: "Hoje parece perfeitamente possível que o horror de Admirável Mundo Novo esteja entre nós dentro de um século". O inglês falava um ano depois do desastre atômico de Hiroshima, quando a Guerra Fria já se instalava no cenário mundial. 

Nascido em uma abastada família inglesa, dedicou-se, além da literatura, à antropologia, à filosofia e aos estudos sobre a expansão da consciência por meio da ingestão de alucinógenos. Foi posteriormente associado à contracultura dos anos 1960 e 1970, devido a sua crítica ao consumismo, a seu espírito levemente anarquista e a seu interesse pelo Oriente e por experiências místicas.

Dicas de leitura

Dicas de leitura: ótimo site com recomendações de livros

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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

"O tempo"


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais:
não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
Mário Quintana

Dica de leitura: A cidade do sol - Khaled Hosseini.

Sinopse: "Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rasheed, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. é filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos.

Confrontadas pela História, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a História continue a decidir os destinos, outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do "todo humano", somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios."


"Só há uma coisa na vida que precisamos aprender, e ninguém ensina isso nas escolas. A capacidade de suportar."



"De todas as dificuldades que uma pessoa tem de enfrentar, a mais sofrida é, sem dúvida, o simples ato de esperar."

Opinião de quem leu: É um livro imperdível, mostra claramente a vida de uma mulher sob o regime talibã, que além das dificuldades vividas como as das mulheres do ocidente, as afegãs são submetidas ao regime autoritário mais machista e inconsequente do mundo.
O livro demostra a luta delas por uma vida mais digna, por um espaço, ou por simplesmente ter uma vida.
Vale a pena a leitura, pois nada mais é que a nossa realidade, realidade muitas vezes desprezada pelo povo ocidental, mas, durante a leitura deste, desenvolveremos a empatia, a reflexão e a visão necessária capaz de mudar a visão sob nós mesmos, sob a vida, sobre o mundo.
Nos mostrando que nossos problemas são pequenos comparados aos que muitas mulheres tem de enfrentar diariamente e vencer, em prol de seus filhos, de sua sobrevivência.


                     Livro disponível na biblioteca da ULBRA Gravataí.


domingo, 3 de novembro de 2013

Dica de leitura: O Processo, de Franz Kafka

Na manhã em que completa 30 anos, Josef K é visitado no quarto de pensão onde mora por dois sujeitos que o informam de que está preso. Os homens se recusam a revelar a natureza da acusação e comunicam ao réu que ele poderá responder ao inquérito em liberdade, desde que se apresente para interrogatórios periódicos no tribunal. É esse o argumento inicial de O Processo (1925), romance que Franz Kafka (1883-1924) - advogado que se ocupou vários anos de um ofício burocrático em uma companhia de seguros e se tornou, segundo o filósofo francês Jean-Paul Sartre, "pai da literatura moderna" - nunca concluiu.

Nascido em Praga, quando a cidade ainda pertencia ao Império Austro-Húngaro (hoje a cidade pertence à República Tcheca), Kafka cresceu sob a influência de três culturas: a judaica, a alemã e a tcheca. Essa identidade multifacetada fez com que ele se sentisse, muitas vezes, estrangeiro em sua própria terra. A sensação de alheamento (somada a uma relação conturbada com o pai autoritário) é traço marcante de sua biografia e teve intenso reflexo em sua produção literária, publicada em grande parte postumamente por seu amigo Max Brod. Em A Metamorfose (1915), um de seus escritos mais conhecidos, a sensação de inadequação é levada ao extremo: o protagonista, o caixeiro-viajante Gregor Samsa, desperta certa manhã transformado em inseto.

Em sua curta existência, Kafka teve contato com as pesadas engrenagens da burocracia e da Justiça estatais. Com elas, formou o esteio de obras como Na Colônia Penal (1914), O Castelo (1926) e, claro, O Processo. Em comum, os livros compartilham o drama de personagens que se veem tolhidos por forças a um só tempo arbitrárias e desconhecidas.

Para o crítico literário alemão Wolfgang Kayser, a saga desses personagens reflete "a estranheza que não provém do eu, mas da essência do mundo eda falta de concordância entre ambos". Ou seja, percebe-se, nessas histórias, o desespero do homem diante do absurdo que parece rodeá-lo. Em O Processo, Joseph K aflige-se com a falta de sentido que lhe corrói a vida. Seus relacionamentos afetivos são artificiais e seu cotidiano, metódico e vazio. É o processo que faz com que K desperte para a própria existência: ele ensaia um relacionamento amoroso com sua vizinha e busca ajuda de outras pessoas, na vã esperança de se livrar do inquérito.

Do ponto de vista histórico, O Processo pode ser considerado uma antevisão do nazismo, cujas raízes já podiam ser sentidas durante a vida de Kafka. A ascensão do nacional-socialismo e o antissemitismo convertido numa indústria de morte a condenar réus baseada no argumento despropositado da raça acabaram tornando-se o contraponto amargo e realda alegoria kafkiana.

A narrativa do romance é marcada pela mistura do real e do simbólico, pelo mergulho no inconsciente e pelo emprego de metáforas que por vezes podem soar exageradas ou grotescas - procedimentos que se repetem em toda a obra do autor. O uso desses recursos o situa dentro da escola expressionista, movimento estético focado na expressão da angústia, dador e do mal-estar do ser humano perante a realidade lhe que escapa.

Mas o escritor é tão singular em seu universo literário que o termo "kafkiano" alcançou as páginas dos dicionários, como sinônimo de algo evocatório de uma atmosfera de pesadelo, de absurdo, em um contexto que se furta à lógica ou à sensatez. Ou, como observou o crítico americano Harold Bloom, "a expressão kafkiano se tornou um termo universal para o que Freud chamou de ‘o fantástico’, uma coisa ao mesmo tempo conhecida e estranha para nós".

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Indicação de leitura: A Cabana - William P. Young

  



Sinopse: "Durante uma viagem de fim de semana, a filha mais nova de apenas 6 anos de Mack Allen Phillips é raptada e evidências de que ela foi brutalmente assassinada são encontradas numa cabana abandonada.

Após quatro anos vivendo numa tristeza profunda causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o para voltar à cabana onde aconteceu a tragédia.

Apesar de desconfiado, ele vai ao local do crime numa tarde de inverno e adentra passo a passo no cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas o que ele encontra lá muda o seu destino para sempre. Em um mundo tão cruel e injusto, A cabana levanta um questionamento atemporal: se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento?"


"Você pode dizer adeus a sua família e a seus amigos e afastar-se milhas e milhas e, ao mesmo tempo, carregá-los em seu coração, em sua mente, em seu estômago, pois você não apenas vive no mundo, mas o mundo vive em você."


Opinião de quem leu: - "Em algum momento de nossa existência  iremos nos deparar com a pergunta "se Deus existe mesmo, porque ele permitiu que isso acontecesse?", neste livro, a resposta para esta pergunta, poderá ser respondida, é uma história envolvente, que nos faz refletir sobre a vida, e tudo que acontece. É bastante útil e envolvente não somente á religiosos, crísticos  mas, também a ateus, pois a mensagem que este transmite, cabe perfeitamente na vida de qualquer individuo. "



Contribuição da colega Dieni Silva

Livro disponível na biblioteca da ulbra Gravataí.