terça-feira, 12 de março de 2013

Da crônica à Mostra

A crônica é um gênero que oscila entre o jornalismo e a literatura, um texto híbrido, de certa forma, que permitte ao emissor trabalhar a questão da linguagem de forma plena e diversificada, fazendo uso, sobretudo, do sentido denotativo, de recursos estilísticos, imagens, símbolos, enfim, um gênero, digamos assim, não tão engessado ao se comparar com um texto de opinião, por exemplo, o qual segue aquela estrutura rígida.
Um texto pronto, constituído da eficácia necessária para ser explorado no ambiente de sala de aula, sem dúvida. No entanto, um questionamento parece pairar e se revelar como importante, já que nossa discussão pende para as propostas aplicáveis a esse contexto, cujo intuito se revela tão somente para o enriquecer dos conhecimentos dos aprendizes e, consequentemente, para o conquistar dos intentos a que se propõe o educador.  Tal questionamento diz respeito ao fato se realmente os alunos estão aptos para produzir essa modalidade textual e, assim, fazer com que o evento realmente aconteça.
Pois bem, caro(a) educador(a), afirmar que esse público ainda não se encontra preparado para ler nas entrelinhas, para decifrar o indizível, enfim, para compreender as nuances discursivas expressas na crônica parece não ser tão descabido assim. Dessa forma, não é de se assustar que uma preparação resulta em um procedimento mais cabível a esse caso. Assim, para começar, nada melhor que uma leitura coletiva, compassada de duas crônicas, ambas de autoria de Affonso Romano de Sant’Anna, que estão dispostas abaixo:
Porta de colégio
Passando pela porta de um colégio, me veio uma sensação nítida de que aquilo era a porta da própria vida. Banal, direis. Mas a sensação era tocante. Por isto, parei, como se precisasse ver melhor o que via e previa.
Primeiro há uma diferença de clima entre aquele bando de adolescentes espalhados pela calçada, sentados sobre carros, em torno de carrocinhas de doces e refrigerantes, e aqueles que transitam pela rua. Não é só o uniforme. Não é só a idade. É toda uma atmosfera, como se estivessem ainda dentro de uma redoma ou aquário, numa bolha, resguardados do mundo. Talvez não estejam. Vários já sofreram a pancada da separação dos pais. Aprenderam que a vida é também um exercício de separação. Um ou outro já transou droga, e com isto deve ter se sentido (equivocadamente) muito adulto. Mas há uma sensação de pureza angelical misturada com palpitação sexual, que se exibe nos gestos sedutores dos adolescentes. Ouvem-se gritos e risos cruzando a rua. Aqui e ali um casal de colegiais, abraçados, completamente dedicados ao beijo. Beijar em público: um dos ritos de quem assume o corpo e a idade. Treino para beijar o namorado na frente dos pais e da vida, como que diz: também tenho desejos, veja como sei deslizar carícias.
Onde estarão esses meninos e meninas dentro de dez ou vinte anos?
Aquele ali, moreno, de cabelos longos corridos, que parece gostar de esportes, vai se interessar pela informática ou economia; aquela de cabelos loiros e crespos vai ser dona de butique; aquela morena de cabelos lisos quer ser médica; a gorduchinha vai acabar casando com um gerente de multinacional; aquela esguia, meio bailarina, achará um diplomata. Algumas estudarão Letras, se casarão, largarão tudo e passarão parte do dia levando filhos à praia e praça e pegando-os de novo à tardinha no colégio. Sim, aquela quer ser professora de ginástica. Mas nem todos têm certeza sobre o que serão. Na hora do vestibular resolvem. Têm tempo. É isso. Têm tempo. Estão na porta da vida e podem brincar.
 Aquela menina morena magrinha, com aparelho nos dentes, ainda vai engordar e ouvir muito elogio às suas pernas. Aquela de rabo-de-cavalo, dentro de dez anos se apaixonará por um homem casado. Não saberá exatamente como tudo começou. De repente, percebeu que o estava esperando no lugar onde passava na praia. E o dia em que foi com ele ao motel pela primeira vez ficará vivo na memória.
É desagradável, mas aquele ali dará um desfalque na empresa em que será gerente. O outro irá fazer doutorado no exterior, se casará com estrangeira, descasará, deixará lá um filho - remorso constante. Às vezes lhe mandará passagens para passar o Natal com a família brasileira.
 A turma já perdeu um colega num desastre de carro. É terrível, mas provavelmente um outro ficará pelas rodovias. Aquele que vai tocar rock vários anos até arranjar um emprego em repartição pública. O homossexualismo despontará mais tarde naquele outro, espantosamente, logo nele que é já um don juan. Tão desinibido aquele, acabará líder comunitário e talvez político. Daqui a dez anos os outros dirão: ele sempre teve jeito, não lembra aquela mania de reunião e diretório? Aquelas duas ali se escolherão madrinhas de seus filhos e morarão no mesmo bairro, uma casada com engenheiro da Petrobrás e outra com um físico nuclear. Um dia, uma dirá à outra no telefone: tenho uma coisa para lhe contar: arranjei um amante. Aconteceu. Assim, de repente. E o mais curioso é que continuo a gostar do meu marido.
Se fosse haver alguma ditadura no futuro, aquele ali seria guerrilheiro, mas esta hipótese deve ser descartada.
 Quem estará naquele avião acidentado? Quem construirá uma linda mansão e um dia convidará a todos da turma para uma grande festa rememorativa? Ah, o primeiro aborto! Aquele ali descobrirá os textos de Clarice Lispector e isto será uma iluminação para toda a vida. Quantos aparecerão na primeira página do jornal? Qual será o tranquilo comerciante e quem representará o país na ONU?
Estou olhando aquele bando de adolescentes com evidente ternura. Pudesse passava a mão nos seus cabelos e contava-lhes as últimas estórias da carochinha antes que o lobo feroz assaltasse na esquina. Pudesse lhes diria daqui: aproveitem enquanto estão no aquário e na redoma, enquanto estão na porta da vida e do colégio. O destino também passa por aí. E a gente pode às vezes modificá-lo.
Torna-se essencial que o educador, no momento da leitura, franqueie o espaço para retomadas dos pontos mais relevantes, ou seja, dos pontos em que o fazer literário se mostra ainda com mais vivacidade, demarcados por aqueles trechos em que temos a oportunidade de refletir com o emissor acerca daquilo que ele intencionalmente nos apresenta. Fazendo isso, parece que há um envolvimento maior dos aprendizes mediante o discurso manifestado, haja vista que lhes possibilita esse conviver com as marcas literárias, uma vez preconizadas como fonte de entretenimento, de fruição, de prazer estético.  Além de tais percepções, o fato de o autor extrair flagrantes do cotidiano e fazer deles um instrumento de reflexão, como é o caso da juventude e os futuros rumos tomados por esse grande público, torna-se imprescindível e, como dizem por aí, “meio caminho andado” para realmente se tornarem hábeis para a produção desse tipo de gênero, tão importante quanto necessário, em se tratando da produção escrita.
A outra crônica, ainda que demarcada somente por fragmentos, aparece intitulada: O homem que conheceu o amor:
O homem que conheceu o amor
Do alto de seus oitenta anos, me disse: “na verdade, fui muito amado.” E dizia isto com tal plenitude como quem dissesse: sempre me trouxeram flores, sempre comi ostras à beira-mar.
Não havia arrogância em sua frase, mas algo entre a humildade e a petulância sagrada. Parecia um pintor que, olhando o quadro terminado, assina seu nome embaixo. Havia um certo fastio em suas palavras e gestos. Se retirava de um banquete satisfeito. Parecia pronto para morrer, já que sempre estivera pronto para amar.
Se eu fosse rei ou prefeito teria mandado erguer-lhe uma estátua. Mas, do jeito que falava, ele pedia apenas que no seu túmulo eu escrevesse: “aqui jaz um homem que amou e foi muito amado”. E aquele homem me confessou que amava sem nenhuma coerção. Não lhe encostei a faca no peito cobrando algo. Ele que tinha algo a me oferecer. Foi muito diferente daqueles que não confessam seus sentimentos nem mesmo debaixo de um “pau de arara”: estão ali se afogando de paixão, levando choques de amor, mas não se entregam. E, no entanto, basta-lhes a ficha que está tudo lá: traficante ou guerrilheiro do amor. Uns dizem: casei várias vezes. Outros assinalam: fiz vários filhos. Outro dia li numa revista um conhecido ator dizendo: tive todas as mulheres que quis. Outros, ainda, dizem: não posso viver sem fulana (ou fulano). Na Bíblia está que Abraão gerou Isaac, Isaac gerou Jacó e Jacó gerou as doze tribos de Israel. Mas nenhum deles disse: “Na verdade, fui muito amado”.[...]
Novamente um assunto relacionado à falta de percepção das pessoas no sentido de não perceberem, assim como deveriam, como elas são amadas. Assim, a importância de viver intensamente, de disseminar o amor aos quatro cantos mais uma vez se faz representada por meio dessa intensa proposta reflexiva proporcionada por esse renomado cronista, Affonso Romano. Dessa forma, mestre, seu trabalho em sala de aula tende a se tornar altamente proveitoso, a partir do instante que incutir nos aprendizes essas percepções demarcadas por meio da leitura de uma crônica. Aprimoradas tais habilidades, eis o grande momento de propor um concurso de crônicas, o qual irá propiciar a oportunidade de as produções serem apresentadas numa mostra cultural, futuramente realizada pelo educador.
A mostra cultural oportuniza grandes revelações de habilidades *
A mostra cultural oportuniza grandes revelações de habilidades *
É importante ter consciência de que essa proposta precisa ser vista como um investimento realizado em médio prazo, digamos assim, pois há a necessidade de  promover o tempo necessário para que os alunos componham os textos, sob a orientação indispensável do educador, “aparando arestas”, sugerindo ideias, corrigindo as possíveis falhas que porventura houver e, de certa forma, deixando os  artistas preparados para um dia de autógrafos, quem sabe? Afinal, a mostra cultural nos permite conviver com tais regalias, não é verdade?
* Créditos da imagem: arindambanerjee e Shutterstock.com

Por Vânia Duarte
Graudada em Letras

Mostra irá reunir imagens relacionadas a stress e qualidade de vida

Estão abertas as inscrições para mostra fotográfica do Congresso de Estresse e Qualidade de Vida da Isma-Brasil (International Stress Management Association), que acontece de 18 a 20 de junho, no Centro de Eventos Plaza São Rafael. Fotógrafos profissionais e amadores interessados em participar da exposição tem até 30 de abril para encaminhar suas imagens, mais informações através do site.
Coordenada pelo fotojornalista Adolfo Gerchmann, a seleção irá considerar aspectos estéticos da imagem e criatividade do fotógrafo, sobre o temas relacionados ao stress e à qualidade de vida.
Com informações do portal Coletiva.net

domingo, 10 de março de 2013

ENADE 2013


O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) é, ao lado da análise dos cursos e das instituições, um dos meios de avaliação da qualidade da educação superior no Brasil. A participação dos estudantes dos cursos avaliados é obrigatória e condição para a obtenção do diploma,sendo registrado no histórico escolar a situação de regularidade com o exame.

Criado em 2004, o Enade substituiu o Exame Nacional de Cursos (também conhecido como Provão). Em sua sexta edição, a prova que mede as competências e habilidades dos estudantes nos respectivos cursos passou por algumas mudanças.
José Cruz/ABr
Ampliar
Enade é um dos meios de avaliação da qualidade da educação superior no Brasil

As diretrizes principais ainda continuam as mesmas. Apenas alunos ingressantes e concluintes devem ser inscritos pelas Instituições de Ensino Superior (IES) para realizar o exame e há um ciclo avaliativo,com duração de três anos, entre os cursos avaliados. O que mudou ao longo do tempo foi o critério para definir os participantes d a prova. Até 2009 era selecionada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) uma amostra entre os inscritos. Depois disso, todos os ingressantes e todos os concluintes tinham de realizá-la. Em 2011 novamente a regra mudou.

Para a edição deste ano do Enade, os ingressantes dos cursos avaliados e que têm nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos anos de 2009 ou 2010 estão dispensados do exame. Mas mesmo assim eles devem ser inscritos pelas IES. Quem não prestou o Enem será dispensado de fazer a prova do Enade, que será aplicada apenas aos estudantes concluintes.

Outra novidade desta edição diz respeito aos estudantes que estão com situação irregular com o Enade por não terem feito o exame quando inscritos pelas IES. Ao contrário dos anos anteriores, em que era preciso fazer a prova, em 2011, a simples inscrição é o suficiente para que o estudantes tenha sua situação regularizada e possa realizar a colação de grau. Estima-se que 1,2 milhão de estudantes sejam inscritos e que cerca de 400 mil façam as provas no dia 6 de novembro.

Com relação ao processo de inscrição de estudantes que é de responsabilidade das IES, para esse ano, a novidade é que os estudantes tiveram acesso, pelo portal do Inep, a situação da sua inscrição e no período de dez dias, o estudante poderia solicitar ou cancelar a inscrição no Enade, reduzindo erros administrativos das IES em prejuízo a participação do estudante no Exame, além de contribuir na disseminação da informação sobre a avaliação.

A partir de 2011, o questionário do estudante passa a ser obrigatório. O preenchimento ocorre de forma on line em sistema próprio e a IES pode acompanhar o percentual de preenchimento dos seus estudantes, orientando sobre a importância do mesmo para a avaliação do curso.

Os cursos que serão avaliados em 2011 são: arquitetura e urbanismo, engenharia, biologia, ciências sociais, computação, filosofia, física, geografia, história, letras, matemática, química, pedagogia, educação física, artes visuais e música, além de cursos de tecnologia em alimentos, construção de edifícios, automação industrial, gestão da produção industrial, manutenção industrial, processos químicos, fabricação mecânica, análise e desenvolvimento de sistemas, redes de computadores e saneamento ambiental.

Todos os cursos de graduação são avaliados e no incio de cada ano, por meio de Portaria Ministerial, ocorre a divulgação dos cursos que integrarão o ciclo avaliativo naquele ano.

Resultados

O desempenho dos estudantes no Enade é um dos componentes do Conceito Preliminar de Curso (CPC). Também compõem a nota o Índice de Diferença de Desempenho (IDD), que é a média entre a nota do aluno no ingresso e no fim do curso, além da opinião dos estudantes sobre a IESs com relação à infraestrutura, instalações físicas, recursos didático-pedagógicos, titulação dos professores, e o questionário do estudante, preenchido pelos participantes do Enade naquele ciclo avaliativo.

O Conceito Preliminar de Curso (CPC), indicador de qualidade dos cursos de graduação (que varia de 1 a 5) é utilizado pelo Ministério da Educação para subsidiar as ações de regulação da educação superior. Cursos com conceitos 1 ou 2 (insatisfatório) são submetidos à visitas de comissão de especialistas formadas por docentes da educação superior na área do curso avaliado designadas peloInep e podem sofrer sanções, como a redução do número de vagas para ingressantes ou até mesmo o encerramento da oferta dessas vagas. Quem recebe conceito 3 4 ou 5 (satisfatório), pode ser dispensado da avaliação in loco.

A média dos CPCs dos cursos avaliados no ciclo avaliativo compõe o Índice Geral de Cursos (IGC), indicador de qualidade das instituições de educação superior. O outro componente desse indicador é a Nota Capes, que avalia os cursos de pós-graduação. As notas também variam de 1 a 5 e as IESs com indicador 1 e 2 precisam sanar suas deficiências sob pena de serem descredenciadas do MEC.

Para saber mais detalhes sobre o Enade e sua legislação, visite a página de perguntas frequentes do exame no Inep.

Provas e gabaritos

O site do Inep oferece também a consulta às provas e gabaritos do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) desde a sua primeira edição, em 2004. Basta selecionar o ano a ser consultado. Provas e gabaritos estão divididos pelos cursos.

Todos os arquivos para download estão em formato PDF. Para visualizá-los é preciso ter instalado em seu computador um programa leitor deste tipo de arquivo.

Fontes:
Inep
Ministério da Educação

quinta-feira, 7 de março de 2013

MEC encerra supervisão na EAD da ULBRA Universidade aposta no crescimento da modalidade com qualidade de ensino



Com o despacho do MEC pelo arquivamento do processo de supervisão na modalidade de educação a distância, a ULBRA foca atenções no crescimento da oferta de cursos e aumento de polos em todo o País, já para 2013/2. A decisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (SERES/MEC), pela conclusão do Termo de Saneamento de Deficiências, oficializada dia 28.02, ocorreu com base no atendimento da Universidade às solicitações de adequação da oferta de cursos, confirmada na visita in loco da Comissão de Avaliação e na documentação apresentada.
O reitor Marcos Fernando Ziemer lembra que logo que assumiu a gestão da ULBRA, em 2009, deparou-se com o processo de supervisão das atividades da EAD instaurado em 2008, o qual, posteriormente, deu origem ao Termo de Saneamento de Deficiências. “Na perspectiva de resolver a situação, a equipe buscou atender as determinações do Ministério da Educação. Essa decisão do MEC é o reconhecimento concreto de que o trabalho foi efetivamente realizado. Passamos a uma nova etapa, prosseguindo na normalidade o processo de renovação do credenciamento para atuar na educação a distância, dentro do ciclo do SINAES”, afirmou.
O pró-reitor adjunto de Ensino a Distância, Pedro Luiz Pinto da Cunha, comemora o fim das restrições de operação da ULBRA nessa modalidade. A Universidade já protocolou no MEC o pedido de autorização para oferta de oito novos cursos, com 12.500 vagas anuais. “Pretendemos oferecer os tecnólogos em Gestão Ambiental, Processos Gerenciais, Produção Industrial e Sistemas para Internet, e as licenciaturas em Física, Matemática, História e Geografia, no processo seletivo 2013/2”, anunciou Cunha.  A ULBRA também está desenvolvendo o projeto de mais cinco cursos, com oito mil vagas anuais.
Atualmente, a ULBRA tem 12 mil alunos matriculados em 10 cursos EAD. Pela projeção de novos 13 cursos, fechando um catálogo de 23 no total, a expectativa é chegar a 100 mil alunos em cinco anos. Já para a pós-graduação em nível de especialização, a ULBRA projeta captar outros 45 mil alunos no mesmo prazo.
Pedro Cunha ressalta que o objetivo da ULBRA é crescer com qualidade. “Planejamos um novo modelo de atuação do polo educacional. Será aberto um edital para instituições de ensino e empresários que desejam atuar em conjunto com a Universidade e se qualificar para isso. Já temos dezenas de interessados em todo o país”, garante.  Cunha lembra que, durante essa gestão, a Universidade não só investiu em novos equipamentos, laboratórios e material didático para os polos, mas reestruturou toda a operação. “Descredenciamos voluntariamente 198 polos no país com o objetivo de qualificar a nossa rede. Seguindo o Termo de Saneamento de Deficiências, internalizamos todos os processos administrativos, acadêmicos e pedagógicos”, informou o pró-reitor.


Tecnologia
A incorporação do tablet como suporte educacional para entrega dos conteúdos digitais é um dos recursos implementados para atender a qualidade de ensino almejada. Ele possibilita a atualização constante de conteúdos, desenvolvimento constante de novos objetos de aprendizagem, ferramentas de interação, entre outros itens. O suporte para este modelo de aprendizagem, com o uso de tablet, foi totalmente desenvolvido na ULBRA, em parcerias com empresas de tecnologia. As videoaulas são produzidas no campus Canoas, com a equipe própria da EAD e da ULBRA TV. A inserção das videoaulas integrada aos conteúdos digitais, de forma dialógicasnos tablets atende as mais modernas técnicas de ensino e aprendizagem a distância. Além disso, aperfeiçoamos os recursos que permitem ao  aluno o  acesso  aos  professores e tutores da Unidade de Canoas.

Qualidade
Até o momento, cinco dos 10 cursos EAD passaram por processos avaliativos do MEC,  sempre com visitas à sede em Canoas e em um polo no país. Foram obtidas nove notas 4 e uma nota 3 - numa escala de 1 a 5. Outros três cursos devem ser avaliados neste semestre.
Para Cunha, “a ULBRA projeta o crescimento da base de alunos na modalidade EAD tendo como orientação a qualidade de ensino e dos processos. A conquista desta meta é base do modelo de produção e gestão que está sendo aperfeiçoado de forma permanente”.

terça-feira, 5 de março de 2013

TV


Certo dia tive uma conversa, muito produtiva, com um amigo. Sobre os meios de comunicação: como ela nos é passada e seus efeitos em nossas vidas! Foi então que dissertamos sobre a televisão e seus programas de baixo nível. Tais como: telejornais, novelas e outros programas apelativos.

Isso é deprimente! O humor saudável e de qualidade está dando lugar às piadas medíocres e ridículas, com baixo calão. Os Reality shows estão ganhando cada vez mais espaço na televisão brasileira. Sim, quem não gosta de ver pessoas lutando, com unhas e dentes por um milhão e meio de reais. Quanto lixo visual, hein!

Pois a briga por audiência é grande e nada melhor para ganhar essa disputa, que: tragédia e baixaria o corpinho bonito da casa mais vigiada do Brasil, as roupas que os Famosos usam, ou com quem esses estão saindo, aonde foram ou deixaram de ir. O verdadeiro click nos famosos. Esse tipo de informação vale ouro em nossa memorável televisão brasileira. Pois nessa disputa por ibope, não há mal algum explorar a dor alheia, mostrando: tragédias, assaltos e assassinatos o tempo todo. Nossa, existe telejornais, que se pudéssemos espremer, sairia sangue!

Mas quem alimenta esse nível cultural? Porque tanto sensacionalismo? Será que vale tudo, por uma boa audiência? Qual o motivo para ficarmos tanto tempo presos à TV, assistindo seus programas pobres em conteúdos?

Infelizmente, toda essa sujeira apelativa, vinda dessa grande lata de lixo, chamada televisão, é fruto da nossa ignorância.

Pois compartilhamos esse sensacionalismo, compactuando com uma guerra! Onde vale tudo pelo primeiro lugar no ibope.

Ricardo Amando Torquato Graduando em Educação Física – Licenciatura, ULBRA Gravataí

sábado, 2 de março de 2013

Reformulada reitoria da ULBRA


Novo organograma reduz de quatro para duas as Pró-reitorias


O ano letivo na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) inicia com reformulações na estrutura da gestão superior. Implantada nesta quinta-feira, 28.02, a nova estrutura e composição da Reitoria reflete a análise realizada pelo Comitê de Planejamento, Reestruturação e Desenvolvimento Institucional, com vistas à conclusão do Plano de Reestruturação da Instituição. O reitor, professor doutor Marcos Fernando Ziemer, acumula as atribuições da função de vice-reitor. O organograma reduz de quatro para duas as Pró-reitorias. A Acadêmica é conduzida pelo professor doutor Ricardo Willy Rieth. A de Planejamento e Administração tem no comando o professor doutor Romeu Forneck, recentemente contratado.

A área Acadêmica conta com pró-reitorias adjuntas. São pró-reitores adjuntos os professores doutores Pedro Antonio González Hernández, para o Ensino Presencial; Pedro Luiz Pinto da Cunha, para o Ensino a Distância; Erwin Francisco Tochtrop Júnior, para Pós-graduação, Pesquisa e Inovação; e Valter Kuchenbecker, para Extensão e Assuntos Comunitários. O Ensino Presencial tem duas diretorias gerais subordinadas ao adjunto, a de Ensino de Graduação, dirigida por Graziela Oyarzabal, e a de Ensino Fundamental e Médio, por Maria Doronin Karnopp.

As estruturas vinculadas diretamente ao reitor Ziemer estão organizadas com a Assessoria Jurídica/Institucional e Chefia de Gabinete – Jonas Dietrich; Assessoria de Comunicação Social, Adriana Marques; Assessoria de Relações Internacionais – Kátia Pozzer, e Assessoria das Unidades de Ensino Superior – Daniel de Brum. E, também, as equipes do Gabinete de Reitoria e da Ouvidoria.

As mudanças foram aprovadas pelo Conselho de Administração da Mantenedora, ontem, 27.02. O anúncio oficial ocorreu agora à tarde, durante a reunião do Colegiado de Reitoria.

Busca pela excelência
Segundo o reitor Marcos Ziemer, o organograma implantado tem como objetivos promover maior interação entre Ensino, Pesquisa e Extensão; profissionalizar a gestão visando a permanente busca pela excelência; tornar os processos decisórios mais ágeis e dinâmicos; consolidar um modelo de gestão participativa; adequar e racionalizar as estruturas organizacionais da Universidade; e viabilizar o cumprimento dos objetivos propostos pela Universidade no Programa de Estímulo à Reestruturação e no Fortalecimento das IES (PROIES).

A busca pela profissionalização foi fator determinante para agregar à gestão superior da ULBRA o professor Romeu Forneck. Além de 15 anos de docência na extensão, graduação e pós-graduação, Forneck tem reconhecida experiência em equipes de gestão universitária com resultados positivos. Também participa de diversas entidades nacionais e internacionais ligadas às suas áreas de formação acadêmica, que somam cinco graduações, três especializações, um mestrado e dois doutorados. “Romeu vem contribuir com seu conhecimento para alcançarmos os objetivos da reestruturação implantada”, afirma Marcos Ziemer.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Ciência para a erradicação da pobreza

   Motivado pelo tema de um evento que reuniu nesta semana Academias de Ciências de todo o mundo no Rio de Janeiro, Carlos Alberto dos Santos comenta em sua coluna de março o papel da educação na base do desenvolvimento científico e a importância da integração regional nesse setor.  

Por: Carlos Alberto dos Santos
Publicado em 01/03/2013 | Atualizado em 01/03/2013
Ciência para a erradicação da pobreza
A educação superior é a base para a construção do sistema científico e tecnológico de qualquer país. (foto: Sxc.hu)
Ciência para a erradicação da pobreza e o desenvolvimento sustentável foi o tema da VII Conferência e Assembleia Geral da Rede Global de Academias de Ciências (IAP), realizada entre os dias 24 e 26 de fevereiro de 2013 no Rio de Janeiro. É óbvio que a limitação contextual do título é apenas circunstancial. Os organizadores do evento decerto compartilham da ideia de que é a ciência transformada em tecnologia o principal vetor para a erradicação da pobreza.
Mas, para além desse viés conceitual, o tema obrigatoriamente nos remete a questões educacionais, que em última instância são o suporte para os sistemas científicos e tecnológicos (C&T) de qualquer país. Ou seja, a um bom sistema de C&T deverá anteceder um bom sistema de educação superior, que, por sua vez, deverá ser antecedido de um bom sistema de educação básica.
A um bom sistema de C&T deverá anteceder um bom sistema de educação superior, que, por sua vez, deverá ser antecedido de um bom sistema de educação básica
Sendo esse evento o cenário básico do escopo desta coluna, permito-me a ele dedicar algumas reflexões de cunho sociopolítico, tendo como foco a integração da América Latina e do Caribe, região indiscutivelmente carente dos benefícios tecnológicos correntes e usuais nos países mais avançados.
De imediato, destaco o fato de que, com exceção dos brasileiros, apenas dois representantes de países latino-americanos e caribenhos (Nicarágua e México) participaram do encontro na qualidade de relator ou palestrante. Seria isso o simples reflexo da baixa representatividade da região na comunidade científica internacional? Qualquer que seja a razão, aqui se tem mais uma motivação para tratar a questão do ponto de vista integracionista.
Apenas pelo interesse conceitual, olhemos para a Comunidade Europeia (CE), tangenciando os acontecimentos políticos e econômicos dos últimos cinco anos. Não há como negar, do ponto de vista puramente heurístico, que os planos estratégicos da CE são consistentes com a formação de uma comunidade regional.
No âmbito da educação superior, esses planos estratégicos foram sistematizados no Processo de Bolonha,  acordo firmado em Portugal em 1999 por ministros de 29 países europeus. Inicialmente denominado Declaração de Bolonha, o acordo teve como objetivo o estabelecimento, até 2010, de um Espaço Europeu de Educação Superior (EEES) coerente, competitivo e atrativo para estudantes europeus e de outras regiões. A construção do EEES sempre foi considerada peça fundamental para promover a mobilidade e a empregabilidade dos cidadãos, elementos definidores de uma comunidade regional.

Do lado de cá do Atlântico

Com essas iniciativas europeias em mente e a integração latino-americana e caribenha como objetivo, seremos levados a supor que os notáveis retrocessos no estabelecimento de uma comunidade regional neste lado de cá do oceano atlântico podem ter a ver com o fato de que ainda não temos, pelo menos de modo efetivo, algo como o Processo de Bolonha, ou um Espaço Latino-americano e Caribenho de Educação Superior.
No âmbito do Mercosul, a Comissão Regional Coordenadora de Educação Superior (CRC-ES) assemelha-se ao Processo de Bolonha. Mas sua atuação tem baixa visibilidade e poucas iniciativas lhe são atribuídas, como a louvável criação do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação Superior do Mercosul (Nepes). Entre os objetivos do Nepes, destaca-se a promoção de investigações intrarregionais que tenham por objeto a problemática da educação superior no Mercosul e sua contribuição para a integração regional.
Globo terrestre
Ainda há poucas iniciativas no âmbito educacional para promover a efetiva integração da América Latina e do Caribe em uma comunidade regional. (foto: Sxc.hu)
Por outro lado, o Programa Latino-americano de Física (Plaf), que tem entre seus objetivos facilitar e encorajar a circulação de estudantes de física entre as instituições de ensino e pesquisa da região e apoiar e estimular atividades durante a formação em física em todos os níveis, aparentemente não tem conexão com a CRC-ES.
É provável que essa desconexão tenha resultado da baixa visibilidade da Comissão, uma vez que a principal justificativa para sua existência é perfeitamente consistente com a parte educacional do Plaf, ao ressaltar que, no âmbito da educação superior, a necessidade de espaço acadêmico regional, a melhoria de sua qualidade e a formação de recursos humanos constituem os elementos essenciais para estimular o processo de integração.
Desvincular a formação de professores de ciências das metas integracionistas nos parece incoerente com a implementação de colaborações científicas e tecnológicas de alto nível
Outro caso de aparente desconexão entre objetivos e ações são os rumores de que gestores de alguns países latino-americanos e caribenhos não gostariam que seus professores da educação básica fossem formados em outros países. Se isso não passar de mito, convém que a situação seja contornada o mais breve possível, pelo menos no que se refere à formação de professores de ciências da natureza, o lastro do sistema de C&T. Esse tipo de resistência não se coaduna com a meta da CRC-ES de implementar ações na área de formação docente em conjunto com a Comissão Regional Coordenadora de Educação Básica.
Desvincular a formação de professores de ciências das metas integracionistas, como sugerido pelos rumores acima, nos parece incoerente com a implementação de colaborações científicas e tecnológicas de alto nível.
A contribuição da C&T para a erradicação da pobreza em escala regional, precisamente na América Latina e Caribe, depende em larga medida do efetivo estabelecimento de um espaço educacional, científico e tecnológico que propicie a implementação de colaborações em cada uma dessas áreas e facilite a mobilidade e a empregabilidade dos cidadãos independentemente do seu país de origem na região.

Carlos Alberto dos Santos
Professor-visitante sênior da Universidade Federal da Integração Latino-americana